20 de agosto de 2010
Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo.
Não que esses encantamentos não sejam para agradar meu umbigo. Ok, fiz as pazes com Freud, que deve achar o egoísta um pouco menos doente que o depressivo.
Ou não, não fiz as pazes com Freud, que acha tudo farinha do mesmo saco e nem está prestando atenção em mim. Ele é só mais um a não enxergar o alto da montanha, mesmo porque ele está embaixo da terra. Incluo Freud no meu "foda-se o mundo". Que papo é esse?
A esperança desesperada por amor e reconhecimento profissional deixou escapar a cansada esperança que se assustou de desespero.
Perdi meu deslumbramento, a válvula propulsora da vida que tive até aqui.
Cansei de me encantar pelo difícil. Que tal um homem e um salário de verdade pra viver uma vida de verdade? Chega da miséria do sonho.
Chega de idealizar uma vida com um fone no ouvido. Eu quero tocar, eu quero cair das nuvenzinhas acima da minha cabeça.
Junto com meu deslumbramento, perdi boa parte de quem eu era. Boa parte tão grande que não tenho para onde ir. Sou uma sem-vida.
Junto com o meu deslumbramento, perdi o rumo: quem não sonha não sabe aonde quer chegar.
O sonho guia, leva longe. Mas de frustrado ele te faz retroceder alguns anos, te transforma em criança assustada. Sei disso quando durmo em posição fetal querendo ser devolvida ao quente da minha proteção primária. Freud volta a ser meu amigo.
Minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. Eu disse a minha esperança? Então eu ainda tenho alguma? Nem tudo está perdido.
Estou deslumbrada com a vida, que te devolve à infância quando o mundo adulto atropela e fere. Lá na infância você se enche de sonhos e volta preparada para o mundo adulto, que se ocupa a frustrá-los todos novamente.
Eu disse que estou deslumbrada? Não, eu não disse, eu escrevi. Que papo é esse?
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa.
(By Tati Bernardi)
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo.
Não que esses encantamentos não sejam para agradar meu umbigo. Ok, fiz as pazes com Freud, que deve achar o egoísta um pouco menos doente que o depressivo.
Ou não, não fiz as pazes com Freud, que acha tudo farinha do mesmo saco e nem está prestando atenção em mim. Ele é só mais um a não enxergar o alto da montanha, mesmo porque ele está embaixo da terra. Incluo Freud no meu "foda-se o mundo". Que papo é esse?
A esperança desesperada por amor e reconhecimento profissional deixou escapar a cansada esperança que se assustou de desespero.
Perdi meu deslumbramento, a válvula propulsora da vida que tive até aqui.
Cansei de me encantar pelo difícil. Que tal um homem e um salário de verdade pra viver uma vida de verdade? Chega da miséria do sonho.
Chega de idealizar uma vida com um fone no ouvido. Eu quero tocar, eu quero cair das nuvenzinhas acima da minha cabeça.
Junto com meu deslumbramento, perdi boa parte de quem eu era. Boa parte tão grande que não tenho para onde ir. Sou uma sem-vida.
Junto com o meu deslumbramento, perdi o rumo: quem não sonha não sabe aonde quer chegar.
O sonho guia, leva longe. Mas de frustrado ele te faz retroceder alguns anos, te transforma em criança assustada. Sei disso quando durmo em posição fetal querendo ser devolvida ao quente da minha proteção primária. Freud volta a ser meu amigo.
Minha esperança é que o sonho esteja apenas cansado e depois de uma boa noite retorne colorido, musicado e perfumado. Eu disse a minha esperança? Então eu ainda tenho alguma? Nem tudo está perdido.
Estou deslumbrada com a vida, que te devolve à infância quando o mundo adulto atropela e fere. Lá na infância você se enche de sonhos e volta preparada para o mundo adulto, que se ocupa a frustrá-los todos novamente.
Eu disse que estou deslumbrada? Não, eu não disse, eu escrevi. Que papo é esse?
Entre idas e vindas me resumo feliz. Entre altos e baixos me resumo equilibrada. Sendo assim, tá na cara e não tem pane: ando meio mal mas vou sair dessa.
(By Tati Bernardi)
15 de agosto de 2010
Ando com uma falta de criatividade imensa.
Não tenho criatividade nem pra comida que vou fazer no dia ou para a música que vou ouvir.
Na verdade, ultimamente estou me sentindo só mais uma.
Só mais uma amiga, só mais uma filha, só mais uma coordenadora do JUIV, só mais uma arte finalista na empresa...só mais uma no mundo.
E isso é uma merda (fato nº1: a palavra "merda" foi a minha palavra da semana).
Mas quer saber...não to mais muito afim de escrever hoje, então vou postar uma poesia de Flobela Espanca que eu achei que retrata mais ou menos o que tenho passado e sentido. É isso...
Bye!
Cegueira Bendita
Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!
Não vejo nada, tudo é morto e vago…
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho…
Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!…
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!
Não tenho criatividade nem pra comida que vou fazer no dia ou para a música que vou ouvir.
Na verdade, ultimamente estou me sentindo só mais uma.
Só mais uma amiga, só mais uma filha, só mais uma coordenadora do JUIV, só mais uma arte finalista na empresa...só mais uma no mundo.
E isso é uma merda (fato nº1: a palavra "merda" foi a minha palavra da semana).
Mas quer saber...não to mais muito afim de escrever hoje, então vou postar uma poesia de Flobela Espanca que eu achei que retrata mais ou menos o que tenho passado e sentido. É isso...
Bye!
Cegueira Bendita
Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!
Não vejo nada, tudo é morto e vago…
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho…
Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!…
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!
1 de agosto de 2010
Faz tempo que não escrevo né?
Algumas pessoas estavam me perguntando se não ia mais mexer no meu blog.
Não andava muito inspirada e tava tudo uma correria muito grande. Mas sei lá. Hoje é mais um dia frio e chuvoso em Curitiba, e do nada me brotou uma vontade enorme de escrever.
Sobre o que vou escrever? Sobre nada eu acho.
Segundo o dicionário, a palavra NADA significa a não existência; o que não existe; coisa nula; bagatela; inutilidade; nenhuma coisa.
Agora eu pergunto: Será que nada é nada ou nada é tudo?
Comecei a me perguntar isso quando comecei a fazer uma analogia entre o NADA e as cores. Ok, estou aqui em devaneios e vocês não devem estar entendendo nada. Mas é isso que acontece com o seu cérebro quando você virá artista. Você acaba pensando demais e ninguém entende nada. Mas vou tentar explicar.
O que é a cor preta? O preto é a ausência completa de cores. Sem cor, tudo fica preto. E o que é a cor branca? Essa cor é a mistura de todas as cores existentes.
Então será que talvez o nada não seja a mistura de tudo?
Às vezes as pessoas vêm nos perguntar o que a gente tem. E o que a gente responde: nada, não. Será que por trás dessa resposta não existe tantos sentimentos misturados, tantas perguntas, tantas possíveis respostas que nem mesmo a gente entende?
Sim. Talvez sim. Talvez o nada seja o branco. Talvez o nada seja tudo.
Ninguém consegue ver as cores que formam o branco assim como ninguém consegue ver TUDO que é capaz de formar o NADA.
Ai que confusão que eu fiz.
Quer saber? Vou parar de ficar confundindo a cabecinha de vocês e vou lá fazer nada. Se e que me entendem.
Algumas pessoas estavam me perguntando se não ia mais mexer no meu blog.
Não andava muito inspirada e tava tudo uma correria muito grande. Mas sei lá. Hoje é mais um dia frio e chuvoso em Curitiba, e do nada me brotou uma vontade enorme de escrever.
Sobre o que vou escrever? Sobre nada eu acho.
Segundo o dicionário, a palavra NADA significa a não existência; o que não existe; coisa nula; bagatela; inutilidade; nenhuma coisa.
Agora eu pergunto: Será que nada é nada ou nada é tudo?
Comecei a me perguntar isso quando comecei a fazer uma analogia entre o NADA e as cores. Ok, estou aqui em devaneios e vocês não devem estar entendendo nada. Mas é isso que acontece com o seu cérebro quando você virá artista. Você acaba pensando demais e ninguém entende nada. Mas vou tentar explicar.
O que é a cor preta? O preto é a ausência completa de cores. Sem cor, tudo fica preto. E o que é a cor branca? Essa cor é a mistura de todas as cores existentes.
Então será que talvez o nada não seja a mistura de tudo?
Às vezes as pessoas vêm nos perguntar o que a gente tem. E o que a gente responde: nada, não. Será que por trás dessa resposta não existe tantos sentimentos misturados, tantas perguntas, tantas possíveis respostas que nem mesmo a gente entende?
Sim. Talvez sim. Talvez o nada seja o branco. Talvez o nada seja tudo.
Ninguém consegue ver as cores que formam o branco assim como ninguém consegue ver TUDO que é capaz de formar o NADA.
Ai que confusão que eu fiz.
Quer saber? Vou parar de ficar confundindo a cabecinha de vocês e vou lá fazer nada. Se e que me entendem.
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